sábado, 3 de setembro de 2011

"O homem correio"


 A notícia é da televisão portuguesa, e passou-se algures no norte interior do nosso país... Fiquei tão estupefacto com a situação que não fixei o nome do local. Um posto de correio, numa pequena vila de 300 habitantes, tinha acabado de ser encerrado.
Estes habitantes estavam tão indignados e “desesperados” com tal acontecimento que decidiram fazer um protesto à frente do posto. Falaram uns quantos velhinhos, por quem eu tenho o maior respeito, e no final, de tais intervenções, apareceu um senhor, o “master mind” por detrás deste alarido, o membro da assembleia da tal freguesia, a representar não a freguesia mas o partido comunista português.
Procuro não só criticar este senhor e toda a organização a que ele pertence mas também denunciar a falta de responsabilidade dos centralizados partidos de poder que se preocupam tanto com os pequenos interesses que as cidades oferecem que acabam perdendo o seu norte institucional e político.
Neste momento de grande dificuldade, este senhor aproveitou a situação para fazer o seu brilharete; “ignorância é felicidade” - é o que se diz, não é?
Eis o polvo comunista, aquele que um tal sr. Gramsci tão astutamente preconizou! Este “aparachik” do Partido (o Único, aquele que, quando tomar o poder, acabará com os outros, os partidos da burguesia, para iniciar a ditadura do proletariado....) fez exactamente o que precisava de fazer, aproveitou-se da situação e envenenando esta comunidade com a inveja e o protesto, convenceu um grupo de idosos a protestar contra a única solução possível, o dito encerramento; e é triste ver tanta manipulação, já que o senhor do Partido sabe que outra solução estatal não existe, pela simples razão de não haver dinheiro para pagar tanta despesa... Mas, mesmo assim, há que aproveitar a situação, é preciso usar todos os motivos de mal-estar para criticar o novo governo de direita, o inimigo do povo.
Mas na aldeia está só este senhor comunista; deveria estar alguém ligado aos grandes partidos, a dar a cara, a apoiar e organizar estas comunidades, a estimular uma cultura de responsabilidade individual e colaboração social.
Uma solução possível, mas que exige algum esforço e inciativa – em vez de protestos e lamúrias – poderia ser: nomear um “correio”, alguém da aldeia que poderia ir uma ou duas  vezes por semana  ao posto de correio mais próximo, para levar as cartas a remeter e trazer as cartas recebidas; todos contribuíam com uma pequena quantia, e problema estaria resolvido... Esta solução podia ter sucesso, e se fosse divulgada na televisão, faria o país sentir-se orgulhoso das suas comunidades, e não deprimido com tanto protesto inútil. Criava-se também um bom exemplo, um precedente positivo para situações semelhantes que venham a afectar outras comunidades que ficassem sem o seu antigo posto de correio.
É para criar soluções que os autarcas – e este senhor comunista também - são eleitos! Mas o Partido manda outra coisa – que eles aproveitem estas dificuldades para aumentar os protestos! Quanto pior, melhor.